Sunday, March 31, 2013

Fanatismo literário


Retirada do Weheartit


"A menina e os livros.

Aquela menina nunca soubera ser a melhor companhia. Nunca soubera como se relacionar com pessoas, seres de carne, osso e sentimentos.

Punha um livro em sua frente. A menina criava uma espécie de brilho único nos olhos. Ela, então, conseguia entender todas pessoas, seres e sentimentos. Ela, então, conseguia transmitir também o que pensava.

Essa menina, igual a qualquer outra menina, tinha sonhos, metas e problemas. E ela resolvia seus problemas de uma forma bem peculiar. Senta-se na sacada de casa e punha-se a chorar, incansavelmente, por sobre aqueles livros. No inverno, no frio, próxima ao mar, encanta-se com a solidão que só aquele local lhe proporcionava e assim ela "resolvia" seus problemas.
Apenas os livros pertenciam àquela menina, e seus sentimentos ficavam soltos pelas páginas e marcadores, segredos de ponto e vírgula que só um frase marcada entendia."




Eu acredito que leitura não é só cultura. Leitura salva vidas. Ler é um hábito mas também é uma paixão. Ler é esconder-se e encontrar-se ao mesmo tempo. Até mostrar-se, quem sabe. A leitura pode ser refúgio da mente, mas é muito mais, é onde a mente desperta e onde ela adormece.
Os livros são tudo o que quisermos que eles sejam:

melhor amigo,
amante,
cura-fossa,
riso, e choro.

Livros não ccnseguem apaixonar qualquer pessoa. Nem todos conseguem prender-se a palavras escolhidas a dedo por um desconhecido que resolveu por mágoas, descobertas ou mesmo as idéias malucas para mostrar a outros desconhecidos que podem taxá-lo de tudo e mais um pouco por matar uma personagem ou mesmo criar um best-seller de baixa literatura.
Para os leitores, e eu digo aqueles que não podem passar por uma livraria sem entrar, mesmo sem um tostão no bolso, que cheiram os livros novinhos - e sim fazemos isso! - que tem todo um cuidado com seus livros, investiga a vida dos escritores que goste, lê novamente livros favoritos, apaixona-se por personagens, fazem coleções de cultura, esses eu confirmo: somos todos doentes, e nossos remédios são livros. Tornaram-se uma necessidade tão grande quanto o alimento vital ao bom funcionamento dos órgãoes - olhos e cérebro, precisamos de vocês! A leitura é para todos e é isso que eu mais admiro nos livros: a sua enorme capacidade de poder fazer parte de mundos muito diferentes - tão iguais ao mesmo tempo, às vezes - e de curar as feridas mais profundas.

Retirada do Weheartit



O poema e o texto são de minha autoria e por isso possuem direitos autorais. Cópia autorizada quando dado os créditos.

Monday, March 25, 2013

Sobre ponto de vista e preconceitos.

Retirada do "weheartit"

Ponto de vista é algo único, mas não tão único assim. Digo, podemos muito bem ser influenciados por tudo a nossa volta para criar nosso ponto de vista e isso vem desde crianças até a idade adulta e vamos mudando ele sempre (alguns nunca o mudam). A questão é que isso do ponto de vista molda muitas coisas que nem fazemos idéias e eu diria que ponto de vista não é uma opinião, como muitos acreditam, até porque não é.
Ele apenas é a forma como cada um, individualmente, vê as situações, as pessoas, as ações. É uma perspectiva da forma como as coisas são a partir do que se é conhecido, do que se é vivido, presenciado e sentido. O grande problema é: há infuência até no que se é vivido, presenciado, sentido. É raro tomarmos decisões sozinhos, ainda mais quando novos. O quanto um comercial, ou mesmo, uma novela pode influenciar uma criança? Isso depende. A questão é que influencia: pro bem e pro mal. E influencia no ponto de vista.
E para mim o ponto de vista está muito relacionado com preconceito.
Tirando do nosso amigo dicionário:
 Preconceito (prefixo pré- e conceito) é um "juízo" preconcebido, manifestado geralmente na forma de uma atitude "discriminatória" perante pessoas, lugares ou tradições considerados diferentes ou "estranhos". Costuma indicar desconhecimento pejorativo de alguém, ou de um grupo social, ao que lhe é diferente. As formas mais comuns de preconceito são: social, "racial" e "sexual".
O ponto de vista pode ser considerado um juízo. Claro que, as pessoas dizem que preconceito apenas é e é passível de opinião própria sobre ser ou não, e o ponto de vista cada um tem o seu e simplismente é.
E como um se liga no outro?
Eu, por exemplo, sou extremamente preconceituosa. Juro. Tenho um enorme preconceito por gente que odeia animais. É difícil eu simpatizar e já acho que sempre é alguém ruim, embora eu respeite essa pessoa, apenas não faço amizade, não quero saber, não faz diferença na minha vida, apenas não consigo firmar um laço com alguém assim mas nunca ofendi alguém por conta disso. E qual meu ponto de vista sobre animais?
Eu amo eles. De coração. Todos eles. "Até tubarão?" Sim! "Até mosquito?" Embora eu seja alérgica, sim! Fui criada sempre com animais na volta, com pessoas que gostam de animais e sempre aprendendo a respeitá-los. Isso teria algo relacionado com o meu preconceito? Eu acredito, fortemente, que sim. Não é diretamente relacionado mas tem forte incidência sobre esse meu preconceito. E não pensem "não sou preconceituoso". Todos somos, com alguma coisa, por mais idiota que seja e nossos ponto de vista divergem-se, mesmo em pessoas criadas de formas iguais, irmãs, mesmas condições. Cada influência externa atinge com uma força diferente em cada pessoa. A diferença está em como lidamos com diferentes ponto de vista. Não vou morrer por existir pessoas que não gostem de animais, por exemplo. Isso é normal. Anormal é essa mesma pessoa me julgar por eu gostar e ajudá-los, ou então maltratá-los por não gostar deles. O mesmo vale para homofóbicos, não vou morrer, mas a partir do momento que isso - ou qualquer preconceito- vira violência, falta de respeito alheio, aí sim, eu me dou o direito de sentir o que quiser sobre aquele indivíduo e batalhar contra isso. E é isso que falta a maior parte das pessoas preconceituosas entenderem, ou seja, grande parte da população, já que todos temos preconceitos.



Resenha HQ V de Vingança

Retirada do Google Images



A série foi criada originalmente em 1983, porém só foi publicada em 1988 pela Vertigo (um selo da DC Comics). Escrita por Allan Moore e desenhada - em sua maioria - por David Lloyd. No Brasil tivemos ela publicada em 1989, depois novamente em 2006 e agora no ano de 2012 foi relançada.
A história se passa em um Reino Unido distópico de 1997 onde um governo totalitário e muito parecido com o regime fascista tem o poder e controla a população após uma guerra que quase asolou o Reino Unido.


Eu confesso que havia lido pouco da HQ antes de ver o filme. Para quem acha o filme ótimo eu diria que a HQ é fantástica!
Codinome "V" ou apenas "V" é um anarquista que se veste com uma máscara de Guy Fawkes, peruca e roupa toda preta. Tem boas habilidades de luta e conhecimento de armaria e química além de grande conhecmento das figuras políticas e seus envolvimentos mútuos. Ele conhece Evey e a "salva", além de torná-la sua aprendiz.

Retirada do Google Images
V é um personagem difícil no começo, ainda mais se formos analisar a história da perspectiva da Evey, que nasceu sem cultura alguma por conta do regime político. Cheio de idéias, ideais e pensamentos meticulosamente cauculados, ele sabe exatamente o que dizer e como dizer para criar o impacto perfeito na história. Achei incrível o modo como vamos desenvolvendo nosso conhecimento sobre o V ao passar da história e o quanto isso pesa na Evey e como isso a faz libertar-se de dogmas e tentar ela mesma ser um pouco anarquista, também. A história de V é triste e mesmo ele é um personagem triste. Apesar dos dialógos serem um pouco complicados e que a junção de todos elementos da história aconteça a leitura é muito boa, é rápida, com frases impactantes e carismáticas. Acabei me juntando ao ideal do V desde um pouco depois do começo e de sua idéia de liberdade e de governo. O traço é bem típico de HQ da década de 1981~1989, bem como os elementos de cores, mas eu prefiro esse tipo de diagramação e formatação do desenho do que os atuais. Dei uma folheada na versão americana e pelo que vi não se perde muita coisa de uma versão para a outra, apesar do papel utilizado na versão americana ser um pouco superior.
O valor médio da HQ é R$23,90 e pode ser encontrada em livrarias ou mesmo on-line.



Retirada do Google Images



Escrita: 8/10
Capa: 8/10
História: 8/10
Personagens: 9/10
Ilustração: (em caso de HQ's): 8/10
Nota final: 8,2 (ótimo)


Thursday, March 14, 2013

14 de março, dia nacional da poesia :)

Para quem não sabe hoje é o dia nacional da poesia e nada mais justo fazer uma pequena homenagem a poetas brasileiros :) Seguem duas poesias para homenagear e agradecer a arte da poesia.


"A Angústia Insuportável de Gente  

Ah, onde estou onde passo, ou onde não estou nem passo,
A banalidade devorante das caras de toda a gente!
Ah, a angústia insuportável de gente!
O cansaço inconvertível de ver e ouvir!

(Murmúrio outrora de regatos próprios, de arvoredo meu.)

Queria vomitar o que vi, só da náusea de o ter visto,
Estômago da alma alvorotado de eu ser... "

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa


"Canção da tarde no campo
Caminho do campo verde
estrada depois de estrada.
Cerca de flores, palmeiras,
serra azul, água calada.

Eu ando sozinha
no meio do vale.
Mas a tarde é minha.

Meus pés vão pisando a terra
Que é a imagem da minha vida:
tão vazia, mas tão bela,
tão certa, mas tão perdida!

Eu ando sozinha
por cima de pedras.
Mas a tarde é minha.

Os meus passos no caminho
são como os passos da lua;
vou chegando, vai fugindo,
minha alma é a sombra da tua.

Eu ando sozinha
por dentro de bosques.
Mas a fonte é minha.

De tanto olhar para longe,
não vejo o que passa perto,
meu peito é puro deserto.
Subo monte, desço monte.

Eu ando sozinha
ao longo da noite.
Mas a estrela é minha."

Cecília Meireles

Tuesday, March 12, 2013

Resenha: "Roverandom"

Imagem retirada do Google Images

Sinopse:
"Em 1925, durante as férias, o pequeno Michael Tolkien perdeu, na praia, um cãozinho de brinquedo que ele adorava. Para consolá-lo, o pai, J. R. R. Tolkien, inventou uma história sobre um cachorro de verdade que é transformado em brinquedo por um mago e enviado por um ´feiticeiro-da-areia´ à Lua e ao fundo do mar. Mais de 70 anos depois, as aventuras do cachorro Rover, também conhecido pelo nome de ´Roverandom´, foram publicadas na Inglaterra. Elas foram organizadas a partir do texto original por Christina Scull e Wayne G. Hammond. Divertido e rico em jogos de palavras, Roverandom agradará a todos os leitores que gostam de uma boa história, e será bem recebido pelos muitos admiradores de Tolkien de todas as idades." (retirado do site da livraria Saraiva)

Esse livro é como se o Tolkien estivesse contando a história para os seus filhos. Eu consegui imaginar claramente a narraçã da história dele para os filhos e adorei o fato do livro ter sido escrito para eles. A capacidade literária e de escrita do Tolkien é inegável e mesmo em uma aventura mais simples que suas batalhas épicas em Senhor dos Anéis a leitura prende. É um livro curto, rápido e a linguagem é bem fácil. Li o mesmo livro em inglês (por um PDF) e achei recomendável para quem está começando a ler em inglês.
O livro conta a aventura do cão Rover que após uma brincadeira é transformado em uma cãozinho miniatura por um mago muito mal humorado e sabichão e se perde da sua casa. A única coisa que ele quer é seu tamanho original e voltar para o menino que era seu dono. Na sua aventura ele encontra outros "Rovers" (que signifca perdido) e aprende a ter mais paciência, ele mora tanto na Lua quanto no fundo do mae.
 É uma leitura leve, gostosa e carregado de lições de moral sutis e leve ironias, prático para que uma criança entenda mas sutil o suficiente para que não pareça uma lição de moral. Muito recomendado!

Escrita: 8/10
Capa: 7/10
História: 7,5/10
Personagens: 7/10

Nota final: 7,3 (Ótimo)

Sunday, March 3, 2013

Poemas no ônibus e no trem 2009

Já havia comentado que tive um poema de minha autoria publicado em uma edição do "Concurso Poemas no ônibus e no trem" realizados aqui em Porto Alegre, participei na primeira vez em 2009 e meu poema foi selecionado! Esse ano pretendo participar novamente com um novo poema. Foi uma sensação bastante agradável e única, pois os autores selecionados tem ate uma tarde de autógrafos na Feira do Livro de Porto Alegre.

Capa do livrinho com toda a seleção de poemas

Meu poema :)



Eu não sabia se iria tentar publicar esse poema ou esse outro:


"Ondas.

Me sinto como o mar, quando a alta temporada acaba. O frio afasta as pessoas, ele se torna vazio e profundo e sereno.

No seu interior, o mar chora, chora muito, mas por fora ele é o exemplo da calmaria; ninguém pensa que ele se sente só ou em sua tristeza. Uma criança ao passar de carro com o pai perto da beira da praia pergunta ao pai porque o mar parece tão mais calmo agora, o pai responde que é porque não há mais Sol.


Sem o Sol, minhas ondas se perdem, assim como minha alegria. Mas eu que o assustei com ondas fortes demais, altas, raivosas. Coisas que bem a Lua que gosta.

Agora, basta deixar que tudo vire pó."

E percebi que era mais que um poema, era mais uma poesia depressiva, acho que fiz boa escolha decidindo pelo outro, não? Em breve postarei mais algumas poesias dessa época de 2009, tenho mais alguns 5 guardados. Ainda essa semana volto com a resenha de Roverandom!